O Fundador

 

    O início do Tibery nas artes marciais

    Tibery começou a treinar arte marcial com o seu pai por volta dos 5 anos, um misto de luta e diversão. Os treinos não eram formais, apesar da cobrança.

    Como toda criança, escutava o que diziam a respeito das lutas e ficava influenciado com as histórias.

    Seu pai praticava Jiu-Jitsu Livre, exercícios de Charles Atlas (conhecido como ginástica espartana), boxe, pulava corda e praticava barra. Apesar da pouca estatura era forte e ágil, conservando-se assim até sua morte.

    O Jiu-Jitsu com o Mestre Américo

Tempos depois, na faculdade de Medicina de Uberaba, seu pai conheceu um estudante, o Mestre Américo, reconhecido especialista em Jiu-Jitsu. Américo foi contratado para dar aulas na academia espaçosa no fundo da sua casa. Assim, com cerca de 12 anos, começou a treinar com o Mestre Américo, com quem perdeu contato posteriormente. Ele se formou, foi-se e a família Tibery mudou de Uberaba para Brasília.

Com ele treinou jiu-jitsu de forma organizada, cumprimentos ao entrar e ao sair do tatame. Era obrigatório o uso do kimono padrão. Passou a entender os princípios básicos do movimento. Porém não se falava em filosofia e tampouco havia a idéia de caminho. O cumprimento era feito de pé e não de joelhos.

Havia muitos alunos, entre eles o filho do Mário Palmério (autor do livro Vila dos Confins).

Sua mãe fazia os kimonos e treinavam os cinco da família: seu pai, irmãos e o Tibery.

Geralmente sentia-se cansado pois treinava constantemente com os alunos maiores e mais fortes.

 


    Judô, Karatê Shotokan, Macrobiótica e a Yoga

Ao mudar de Uberaba para Brasília em 1959, deixou de treinar Jiu-Jitsu, mas praticou várias artes marciais:

Judô: com o Mestre Ninomia, no Núcleo Bandeirante, o qual era um exemplo de técnica, eficiência e educação.

Karatê-do, estilo Shotokan: com o Mestre Higashino, na W3 sul, influenciado por filmes e pelas técnicas de quebramentos.

Praticou também Macrobiótica por cerca de 4 anos e Hata Yoga, ambos de grande influência na sua saúde e no treinamento mental associado.

Chegou inclusive a ir várias vezes a São Paulo para encontrar com especialistas do assunto, entre eles o Mestre Tomio Kikuchi, criador do Instituto do Princípio Único.

    O Aikidô

Tempos depois, por indicação de Antonio Frechiane, (que assistiu a uma demonstração de Aikidô na Academia Nacional de Polícia), foi procurar o Mestre Martins, responsável pelo Aikidô em Brasília, aluno do Mestre Nakatani, que por sua vez foi aluno direto do Mestre Ueshiba.

No primeiro contato o Mestre Martins já abriu seu coração, falando com empolgação sobre Ki e dos Mestres Nakatani e Ueshiba, aos quais venera.

Mestre Martins foi o pioneiro do Aikidô em Brasília e seu primeiro professor nesta arte. Pessoa de raro caráter, educação, ética e dedicação. A cada dia mais demonstrava o quanto tinha a ensinar de fé e postura correta.

Assim, Tibery e seus filhos iniciaram na Academia de Polícia de Brasília a prática do Aikidô.

Tibery então adotou o Aikido como sua arte marcial na época, a segunda com a qual teve mais contato. Treinou com afinco, sendo o primeiro faixa preta do Distrito Federal e o primeiro formado pelo Mestre Martins. Chegou ao terceiro dan e foi o terceiro vice-presidente para o Brasil.

Seu segundo professor foi o Mestre Ichitami Shikanai, que apesar de ser apenas um segundo Dan na época, trazia movimentos atualizados, sendo exemplo de técnica e de belos movimentos, e é um dos expoentes do Aikidô e da religião Oomoto.

No Japão, onde esteve por aproximadamente três meses, foi recebido no aeroporto pelo Mestre Shikanai, com quem teve oportunidade de visitar a sede da Oomoto em Kameoka, Japão. Conheceu ali o líder Torao Deguchi, cujo filho e demais membros do grupo estiveram, posteriormente, em Brasília, onde realizaram uma cerimônia. Oomoto é a religião que foi seguida pelo Mestre Ueshiba, muito influenciando a arte criada por ele, o Aikidô.

Com o Mestre Shikanai treinou bastante. Teve afinidade com sua técnica e respeito por sua forma japonesa de ver as coisas. Aprendeu muito com ele, a quem é muito grato. Era detalhista e suas qualidades técnicas foram reconhecidas pelo filho do fundador do Aikido, Kishomaru Ueshiba, que fez-lhe um elogio público quando esteve no Brasil.

Sobre Aikidô escreveu dois livros: Aikidô o Caminho Harmonioso do Ki e Bastâo Aikido (primeiros livros da categoria escritos no Brasil). Esgotados, não pretende reeditá-los. Na época foram importantes por sua utilidade aos praticantes e à divulgação da arte. Hoje existem outros livros em português para suprir-lhes a falta.

Deu aulas de Aikidô em vários locais e chegou a ter 200 alunos no clube Ascade, um recorde no Brasil.

Quando parou, seu filho Alexandre Tibery, faixa preta de excelente técnica, prosseguiu dando aulas ao grupo, vindo a parar posteriormente, quando dedicou-se a outro tipo de atividade.

Alguns ex-alunos de Aikidô prosseguiram o treinamento, destacando-se Nelson Takayanagi que hoje segue as orientações dos mestres Martins e Shikanai. Outros ex-alunos, apesar da minha resistência inicial, passaram a treinar comigo a nova arte - Ami-Jitsu.

Parou o Aikidô em busca de algo novo, uma fase de mudança, uma atitude pessoal. Não foi pressionado nem impedido e não houve desentendimentos, exclusivamente sentiu necessidade de algo novo que lhe realizasse. Afastou-se definitivamente, pois nunca soube dedicar-se parcialmente a uma atividade.

Após afastar-se falou poucas vezes com o Mestre Martins (e agora fala com frequência) e as últimas vezes que viu o Mestre Shikanai foi em Belo Horizonte, onde foi duas vezes para treinar, quando ainda mantinha o interesse no Aikido.

Perdido o estímulo, não treinou mais. Ficou de ir visitá-lo, ali, o que nunca se concretizou. Ficaram distantes, perderam o contato e sabe notícias dele através do Nelson e da Iliana Takayanagi. Hoje o interesse do Mestre Shikanai é o Aikidô e o do Tibery o Ami-Jitsu.

 


    A Capoeira

Paralelamente ao Aikidô e decidido a melhorar suas técnicas de defesas de chute, começou a praticar Capoeira com o Mestre Hélio Tabosa na w3 Sul, sendo batizado de Vovô devido aos cabelos brancos que já possuía por volta de 1970.

Em Brasília, Marco Aurélio, seu irmão, foi um dos precursores da capoeira com o nome de batismo de Búfalo (nome símbolo da sua “delicadeza”). Os pioneiros dessa arte em Brasília foram Adilson, Búfalo e Tabosa.

 


    O Iai-dô e o Kendô

Para aperfeiçoar as técnicas de bastão, praticou Kendô com o Mestre Saburo Takano, concentrando-se nos katas, e Iai-do com o Mestre Michioka, em Tokyo, onde, apesar do pouco tempo, guarda conhecimentos e vivas recordações.

 


    O AMI-JITSU

Foi a modalidade criada pelo Mestre Tibery, que passou a divulgar a partir de abril de 1989.

O somatório de experiências do Mestre Tibery, fizeram-no procurar algo único, que envolvesse tudo que acreditava ser útil em uma arte marcial. Nascia assim o AMI-JITSU.

Apesar de inúmeras técnicas tem a preocupação de ser único, bem acabado e eficiente desde o início da técnica até o final de sua execução. Lembrando que toda arte marcial é derivada de outra, e o AMI não é diferente neste aspecto.

Fui fundador e primeiro Presidente da Associação Esportiva de Artes Marciais Integrativas; Fundador e Conselheiro do Conduta – Conselho de Artes Marciais e Esportes de Luta.

Sobre Ami-Jitsu escreveu dois livros: Ami-Jitsu Arte Marcial e Ami o Caminho da Integração.

Produziu fitas e DVDs sobre esta arte.

Uma fita em VHS foi produzida pelo CPCE - Universidade de Brasília em convênio MEC/UnB – esta fita encontra-se a venda nas distribuidoras da Unb.

Fita para o sistema fila única, apresentada em as agências do Banco de Brasília- BRB;

CD de técnicas do livro Ami - Arte Marcial, produção independente;

DVDs sobre técnicas de exames e DVD de Defesa Pessoal.

    Palavras do Mestre Tibery

“Há mais de 50 anos pratico Artes Marciais e desde 1972 atuo como professor em Brasília. A vida não é fácil para ninguém e igualmente é difícil para um professor de arte marcial. Dou aula todos os dias, inclusive aos sábados e domingos, uma rotina cansativa. Aonde quer que vá há sempre um interessado querendo aprender, (quer no Brasil ou no exterior), o que me dá prazer. A mulher e filhos reclamam de tanta dedicação, e sei que eles têem razão. Problemas como carregar tatame, estar com o kimono no carro ou na mala, pouco retorno financeiro, pouco tempo para ir a uma festa ou a um cinema, nada disso me desestimula. Dedico com amor ao que faço.

Todos podem praticar uma arte marcial e obter um bom resultado. Para isso devem ser assíduos, pontuais, interessados e dedicados. Não existe milagre, o progresso só vem com o treino e a repetição exaustiva das técnicas. No Ami-Jitsu, em especial, deve haver a colaboração entre os parceiros para permitir que todos evoluam conjuntamente. Refiro-me a evolução global, aquela que melhora não apenas o nosso corpo (periferia), mas também o nosso interior, nossos valores, buscando nossa evolução integral.

É claro que pessoas com deficiências físicas ou mentais vão enfrentar maiores dificuldades, mas não é de todo impossível a evolução deles, havendo necessidade, em alguns casos, de turmas especiais.

A vida ensinou-me a importância de:

- Ser útil à humanidade, respeitar os seres humanos, os animais e a natureza;

- Saber controlar as emoções (o que nos diferencia dos animais);

- Aprender com os erros passados. “

(Mestre Tibery – dezembro de 2010)

 

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